segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Feminismo x Aborto

Estava lendo uns artigos sobre feminismo na internet e achei uma citação de uma feminista das antigas (Alice Paul) que dizia: "o aborto é a máxima exploração das mulheres".
Fiquei confusa, pois as feministas são conhecidas por defender o direito das mulheres de abortar, e resolvi pesquisar para entender essa questão.

até algumas décadas atrás, as mulheres não podiam ser mães solteiras por causa da repressão da sociedade, e eram obrigadas a abortar clandestinamente para que sua família não descobrisse e a condenassem, espancasse, expulsassem de casa, etc. então as feministas, quando da revolução sexual, lutaram para dar às mulheres o direito de serem mães solteiras, usando como argumento o crime à vida que o aborto constituía, principalmente pelo fato de ser realizado clandestinamente e oferecer muito risco à vida da mulher.

hoje em dia as coisas mudaram muito: muitas mães solteiras acabam tendo vários filhos de cada pai, e com a falta de condição financeira, muitas crianças crescem sem estudar, não têm condição de saúde, alimentação e moradia adequadas, etc. a superpopulação é o maior problema da humanidade - e a origem de todos os outros problemas, da fome às guerras - e as pessoas continuam tendo filho a torto e a direito, por falta de informação, de métodos anticoncepcionais e também porque o aborto continua clandestino - se você engravidou sem querer, ou você tem o filho ou coloca sua própria vida em risco, e ainda viverá com esse peso na consciência para o resto da vida.

a causa pela qual as feministas lutaram era legítima na época, pois não havia métodos anticoncepcionais (e isso nem faria sentido, pois só se podia fazer sexo depois do casamento e com a finalidade de procriação, coisa que todo mundo sabe que não é bem assim que acontece), então as mulheres sofreriam muitos danos morais, pessoais e financeiros se optassem por ser mães solteiras, e a opção de abortar também não era nada melhor em termos de saúde. e elas (feministas) conseguiram mudar essa realidade. o problema é que essa liberação total desencadeou um extremo oposto, que são milhares de crianças nascendo sem terem um mínimo de condição de serem criadas com dignidade, com mães solteiras sobrecarregadas, sem condições financeiras e sem terem com quem dividir a responsabilidade.

no fundo, o problema não está em ser mãe solteira ou casada. não está em ter muitos ou poucos filhos. não está em abortar ou não. não está nem mesmo na condição financeira dessas mulheres. o problema está na falta de informação das pessoas que não têm noção do que pode acontecer com elas e não são capazes ter um mínimo de raciocínio lógico para medir as conseqüências dos seus atos.

se você quer ser mãe solteira, tudo bem, mas precisa primeiro ter condições pra isso, e consciência de que não será fácil. e se você quer ter muitos, muitos, muitos filhos, seja do mesmo pai ou de vários, seja casada ou solteira, seja com 16 anos ou com 35, idem. e nem preciso falar das conseqüências de não se usar preservativos, que hoje em dia são amplamente divulgadas.

é por isso que hoje em dia as feministas lutam pelo direito de abortar. muitos dirão que não faz sentido, já que antes elas defendiam o contrário, mas para mim faz sentido sim. os tempos mudaram, o contexto mudou elas continuam lutando pelo direito da mulher de tomar suas próprias decisões, já que a gravidez é um processo fisiológico que afeta apenas ao seu corpo e ao de mais ninguém, sejam essas decisões a escolha por um aborto, uma gravidez de risco, uma sobrecarga de responsabilidade devido à "produção independente" ou o que for.

ok, as pessoas precisam ter o direito de escolherem o que querem para suas vidas. se não quer ser mãe e aconteceu um acidente - estupro, camisinha furou, pílula falhou, etc - tem que ter o direito ao aborto, sim. ou, se mesmo tendo sido acidente, quiser ter o filho, tem que ter esse direito também, sem ser massacrada pela família e pela sociedade que considera isso uma indecência, um pecado mortal. e o homem tem que ser responsabilizado também, pois a mulher não faz filho sozinha, portanto o azar também foi dele. mas ainda assim, falta informação.

A liberação sexual trouxe todas essas conseqüências de sexo feito sem responsabilidade, explosão demográfica, etc. e o movimento feminista teve sua parcela de influência nisso. Mas o problema de hoje continua sendo praticamente o mesmo de 60 anos atrás: falta de informação e responsabilidade. por isso nada mais justo que hoje elas lutem para tentar equilibrar esse outro extremismo, que se antes era o da repressão, hoje é o da libertinagem total. O problema nunca foi o fato de seres humanos fazerem sexo, e sim o fato de isso ser reprimido pela moral e pelos "bons costumes" sem a menor justificativa biológica para isso, causando desinformação - e a desinformação é que é o X da questão, pois se um assunto é intocável dentro de casa, é óbvio que você vai fazer questão de não saber nada sobre ele, para não ser censurado, reprimido, podado. Hoje, se não há mais repressão, há um culto ao prazer carnal sem o menor envolvimento entre as partes, sem responsabilidade, sem sentimento, sem consciência. Chegou-se ao outro extremo, e ele não é nada melhor do que o anterior, já que a informação continua, como sempre, ausente.

O problema não é transar, isso todo mundo faz, seja mais cedo ou mais tarde, seja antes do casamento ou depois, seja com camisinha ou sem, seja amando ou não. o problema é não ter informação sobre proteção, e pra isso precisa de muita conversa com os pais, porque um adolescente de 16 anos vai fazer sexo SIM, quer os pais autorizem ou não, quer os pais os orientem sobre proteção ou não. repressão sexual não serve para nada, só para criar pessoas desinformadas, mães solteiras, pais irresponsáveis, abortos, doenças, além de muita, muita neurose e sentimento de culpa.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

meu morfeu é japonês

é, não adianta.

já tentei de todas as maneiras inverter o meu horário normal de sono.
já tentei prolongar a vigília por mais tempo, mas nunca passo das 12h.
já tentei dormir além do necessário e acordar uma hora mais tarde a cada dia.
já tentei completar um ciclo inteiro de 24 horas ou quase isso sem dormir.
outro dia tentei ficar acordada até umas onze horas, onze e meia; já que normalmente eu sinto sono já às nove e antes das dez já estou roncando - só pra ver se conseguia burlar meu sistema e então acordar um pouco mais tarde. consegui dormir mais tarde, mas não adiantou: acordei no mesmo horário de sempre. no final, acabei apenas dormindo menos.
não adianta, meu relógio biológico só funciona assim.
é o normal dele, não adianta tentar lutar contra isso.
mesmo que eu durma um pouco mais tarde, sempre acabo acordando com os raios de sol entrando pela janela.
e é aí que meu dia começa. nunca antes, nem depois.
isso, se eu tiver liberdade para seguir minha própria natureza. porque muitas obrigações sociais, como trabalho, estudos e até lazer, muitas vezes nos obrigam a ignorar a sensação de sono e permanecer acordados por mais tempo do que nosso corpo gostaria, ou então nos obrigam a acordar em horários incompatíveis com essa necessidade. e hoje em dia, muitas pessoas traem sua natureza e violentam seu corpo, privando-se do sono recompensador, ou mantêm uma vida tão agitada e estressante que acabam por perdê-lo, e rolam por horas na cama sem vontade nenhuma de dormir.
às vezes, se me esforço muito, consigo inverter meu horário de sono por um ou dois dias, mas de alguma forma a insônia sabota meus planos de burlar meu próprio sistema e, mesmo com sono, continuo acordada pelo resto do dia até chegar a hora em que, realmente, estou acostumada a dormir.
e foi exatamente isso o que aconteceu hoje. mesmo estando acordada há mais de 18 horas, tentei, em vão, rolando de um lado para o outro, dormir e não consegui.
agora, que já completei mais de 24 horas - e neste momento a maioria das pessoas está em plena atividade -, estou sentindo os olhos pesando, ansiosos por compensar as horas perdidas nos braços de morfeu. já tomei café pra tentar aproveitar mais algumas horas, mas sei que não aguento mais muito tempo. e sei também que, se dormir agora, não acordarei antes de o sol apontar no horizonte - como uma seta em direção aos meus olhos - a avisar que o horário do dia em que realmente me sinto disposta está enfim começando.
por isso estou desistindo. não vou mais lutar contra isso.
tem algo aqui dentro, que faz parte de mim e sem o qual eu não funciono, que é mais forte do que eu.
vou deixar meu ritmo biológico seguir seu ciclo normal.
definitivamente, eu funciono melhor à noite.

bom dia para vocês, e bom sono para mim.

Santos, 05/02/2012, 8h15AM

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Protesto contra a Criminalização do Corpo

Por que a gente fica sem saber o que fazer com as mãos às vezes? Ou sem saber onde enfiar a cara? Com vontade de sumir, de se esconder, de se enfiar num buraco?

Por que sentimos tanta vergonha se alguém nos fala que nosso zíper tá aberto, que a blusa tá transparente, que o sutiã tá aparecendo, que o biquíni tá caindo ou que a calça tá rasgada?

Por que detestamos tirar foto para documento e receber os amigos de pijama?

Por que é uma experiência tão traumática e difícil tomar injeção na bunda, ir no ginecologista ou urologista, tomar banho em vestiário aberto, fazer exame de toque? Por que às vezes até mesmo o simples fato de abrir a boca, mostrar a língua e dizer "aaaaa" para o clínico geral já nos faz sentir uma certa sensação de ridículo?

Por que todo mundo acha que massagem, carinho, dança a dois e trabalho corporal é sacanagem?

Falando de mim, já senti vergonha de inúmeras partes do meu corpo. Do meu cabelo sinto até hoje, tanto é que eles vivem presos. Dos meus pés, que quando estão sujos, quero escondê-los. Mas houve época - e eu era criança de tudo! - em que tinha vergonha do meu umbigo. Só usava calça de cintura alta e tinha pânico de alguém levantar minha blusa. E durante a adolescência, não trocava de roupa na frente de ninguém - nem mesmo mãe, irmã ou amigas íntimas.

Também já tive vergonha da minha própria voz. Quer dizer, só pode ser vergonha o fato de alguém de uma hora pra outra simplesmente parar de falar - aos 2 anos de idade (quando deveria estar começando)!. Aos poucos fui voltando a falar, mas até hoje não lido bem com isso. E sempre tive vergonha de pronunciar certas palavras "feias" - não só palavrões, mas palavras que representavam coisas das quais supostamente deveria sentir vergonha, como partes do corpo, sentimentos, etc.

Sem contar o horror que tinha, por volta dos 6 anos, de usar short ou bermuda e ser confundida com um menino. Tudo por causa do meu cabelo, que sempre cresceu "para cima" e nunca foi comprido como o das modelos de propaganda de xampu.

Hoje em dia estudo dança, leio sobre psicologia e fiz um pouco de aula de canto, de modo que todos esses complexos e vergonhas vão sendo minimizados... mas tem algumas coisas em mim mesma que ainda me incomodam bastante, e eu nem mesmo sei por quê. Agora, alguém me explica: por que diabos a gente tem tanta vergonha do nosso corpo, meu Deus? Por que tentar adulterá-lo e camuflá-lo de todas as formas possíveis, como se ele fosse uma invenção do capeta, a materialização do pecado?

Mas o maior problema não é nem a religião - hoje em dia, ao menos no ocidente, ninguém é obrigado a ter religião, mas todo mundo tem que se submeter às leis... que foram criadas baseadas em princípios religiosos. Daí eu pergunto: por que CRIMINALIZAR determinadas pertes do corpo como se elas fossem sujas, feias e não tivessem direito à existência? Por que proibir as pessoas de se mostrar em público como elas realmente são? Não foi assim que todo mundo veio ao mundo? O que leva alguém a pensar que deixar aparecer determinadas partes do corpo é atentado ao pudor, como se só pessoas depravadas tivessem aquilo e os bonzinhos, de bom caráter e bem-comportados não tivessem?

Será que a religião e o conservadorismo paternalista não percebem o crime que cometeram contra o dom do amor e as relações dos seres humanos uns com os outros e consigo mesmos?

Será que ninguém percebe o quanto as pessoas se tornam complexadas, frustradas e mal-amadas por conta dessa repressão ao conhecimento e desfrute do próprio corpo?

Será que a indústria da beleza não percebe o crime que está cometendo contra a saúde psicológica das pessoas com essa imposição de padrões e ideais?

Será que ninguém percebe o quanto tudo isso nos torna aleijados funcionais para o resto das nossas vidas, incapazes de deixar de lado inibições e restrições de movimentos que ficam marcadas nos nossos reflexos musculares e não têm sentido nenhum?

Por que é tão difícil aprender a dançar, a cantar, a falar em público, a se expressar, a se relacionar, a fazer trabalhos manuais? Porque ninguém aprendeu como lidar com o corpo. Ninguém se deixou explorar essa máquina maravilhosa e cheia de possibilidades, esse parque de diversões infinito que é o corpo; e quando você finge que ele não existe, ele vai desaparecendo aos poucos.

Gente, é normal ter corpo, pelo amor de Deus. Não tem sentido esconder o corpo - TODO MUNDO TEM CORPO! Não tem por que sentir vergonha disso. Todo mundo nasce com órgãos sexuais entre as pernas; todo mundo nasce com uma voz assim, com um cabelo assado, com predisposições genéticas para determinado tipo físico; todo mundo libera secreções e excreções; todo mundo tem odores corporais; todo mundo tem instinto; todo mundo tem sensações; todo mundo sente prazer. É natural.

O que não é natural é viver controlando, censurando, reprimindo, destruindo e podando a si mesmo e aos outros por achar que existe algo de errado na nossa própria natureza.

Quem vocês pensam que são pra achar que sabem mais do que a natureza?

sábado, 23 de abril de 2011

chegando no PS, atendidas por uma médica carrancuda, quase ríspida, achamos que nada ia amolecer aquele coração. quando minha mãe mostra o exame todo rasgado, ela pergunta "quem fez isso, criança ou cachorro?" minha mãe responde: "gato."
como um passe de mágica a fisionomia da doutora muda e ela diz :
"ÓÓÓUN que lindo, adoro!"
"jura? eu tenho 30"
"AAAAH QUE DELÍCIA! deixa eu mostrar os meus..."
e começou cada uma a falar dos seus próprios bichanos, e a consulta que tinha tudo pra ser tensa foi mó agradável.

mais tarde, em casa, minha mãe comentando com meu pai:
"e ela é divorciada e disse que só se casa de novo se for com alguém que goste de GATOS, e não dela..."
ao que o meu pai responde:
"é, ela é mais sábia que você..."

e eu morri de rir.

sábado, 6 de novembro de 2010

cansei de ser alienada e resolvi conhecer um pouco de tudo.
daí cansei de tudo e resolvi conhecer mesmo só o que era bom.

cansei de ser eclética. virei forrozeira.
cansei de ser democrática, virei anarquista.
cansei de ser sexy, virei maloqueira.
cansei de ser nerd, virei andarilha.

cansei de ser bicho-do-mato, virei sociável. daí cansei de socializar e virei sociável com restrições (do tipo que puxa coro e oferece brinde mas sai à francesa).

cansei de gente fútil e virei seletiva. daí cansei de selecionar e passei a ser mais tolerante e menos preconceituosa.

cansei de ser igual aos padrões e resolvi ser diferente. daí cansei do padrão de tentar ser diferente e resolvi ser eu mesma (mas não sempre a mesma, ai que clichê).

cansei de ser ingênua e resolvi dar uma de mineiro (malandro porém discreto). mas daí cansei de ser dissimulada - quero ser autêntica e gritar aos quatro cantos todas emoções que sentir.

ah, cansei de procurar alguém pra 'me completar' e resolvi me bastar (mimimi sou auto-suficiente mimimi). daí cansei de ser egocêntrica e metida a bem-resolvida e resolvi procurar alguém com quem... compartilhar.

afinal, todo mundo tem algo de bom a compartilhar. e 'happiness is only meaningful when shared' (into the wild), não é ?

ah, continuo sendo: bairrista, clubista, saudosista, santista. e legionária.
com os olhos abertos, mais curiosos e atentos do que nunca.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Amor é uma coisa que a gente tem que escolher.
Se quer só dar ou só receber.
E tem escolher entre as coisas que a gente ama.
Escolher entre a profissão e o namorado.
Entre o namorado e os amigos.
Entre os amigos e a família.
Entre a família e a profissão.
Entre o que é bom para você ou para aqueles a quem você ama.
Às vezes, tem-se que escolher entre a esposa e a amante,
entre o passado e o presente,
entre a estabilidade e a aventura,
entre a razão e a emoção.
À vezes a gente tem que escolher entre ter uma presença física ou espiritual.
E outras vezes a gente simplesmente não escolhe.
A gente ama, e pronto.
Mas não pode ter.
E pronto.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sabe? Eu amo a minha vida. Ela é tão cheia de emoções. As emoções dão sentido à vida, apesar de não terem sentido. Emoção é uma coisa antagônica à razão, porém emoções são a razão de se viver. Adoro coisas paradoxais.
O melhor de tudo é que elas nunca acabam. O mundo é infinitamente grande, e a gente nunca vai ver tudo o que há pra ser visto nem sentir tudo o que nossos sentidos permitiriam. E isso é belo.
Triste seria se chagasse um dia em que alguém pudesse dizer "já senti todas as emoções do mundo, agora não tenho mais razão de viver". Seria como se Fernão Capelo Gaivota alcançasse a perfeição de seu vôo, e não tivesse mais pelo que lutar, pelo que se dedicar.
A imperfeição é bela.
Eu só torço para que exista reencarnação. Pra gente poder ter uma nova chance de evoluir e de sentir as emoções que ficaram faltando na vida anterior. Se não houver, será muito, muito triste.
Mas também, quem se importa ? Eu não vou estar lá pra sentir, mesmo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

poema de amor

"Amar é servir"
- J.D. Salinger

Ele conquistou meu coração.

É a coisa mais sensível e pura,
cheia de candura
que eu já tive em minhas mãos.

Ele me observa, me preenche, me absorve,
se aconchega, me comove,
me derrete, se dissolve,
desaparece nos meus cabelos,
ao meu lado no travesseiro.

É meu amado, companheiro, confidente,
meu amigo, meu amante.
Adotei-o como filho,
enteado cativante.

De sua inocente carência
emanam gritos por atenção.
Ao meu encontro vem correndo,
no meu colo se encaracola,
se entrega num frisson

na mais plena confiança,
numa sincronia de dança
ao meu frenesi de carinhos,
de afagos incondicionais.

Só sob meu zeloso olhar dorme.
Quando desperto, ora come
com sofreguidão o que lhe ofereço,
ora me abusa, me brinca, me morde,
me escala, desliza, arranha, devora,
me paga com o que não tem preço:

permite-me amá-lo, e assim o faço
por entre dentadas, lambidas, unhadas,
gemidos, suspiros, risadas
brincadeiras e entrega das almas
a um amor sem fronteiras de raça.

Sou sua criada, vassala, discípula;
não sou sua dona, mas sim sua súdita.

Meu colo é seu trono e ele é meu Príncipe.


março/2008


outubro/2008

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Laços entre Nós

Eu adoro criar laços com as pessoas.
Mas são laços, e não nós.

Um laço é singelo, ornamental e poético. Fácil de apertar ou de afrouxar; até mesmo de desmanchar.
O nó é cego, sisudo, egoísta e controlador. Não se molda a você, mas faz você se moldar a ele. Limita sua respiração, seus movimentos, seu ir e vir.

O laço é desenvolto, é quase um cúmplice. Te acompanha onde for e te deixa ir sem rancor. O laço te deixa crescer, não te censura, não te deixa mágoas nem marcas na pele. Não prende a sua circulação.

Já o nó é violento, dramático, apegado e dependente.

Desfazer um laço é simples: basta a um dos lados se esgueirar de mansinho, puxar o que é seu para junto de si e, à guisa de adeus, escorregar para longe dali.

Desfazer o nó cego é uma coisa mais complicada.
Só cortando, arrebentando ou gastando muita unha, ou uma lâmina afiada.
Na falta de coragem para cortar a relação de vez, também se pode cutucar, com um espeto, agulha ou intriga bem pontuda, no meio do coração do nó; desfiando aos poucos suas fibras, rompendo dissimuladamente, como água mole dissolve pedra dura, as amarras mais profundas.
Tudo isso não sem desgaste, sem feridas nem sem cada parte
sentindo ao sair dali que falta um pedaço de si.

Para refazer um laço perdido é fácil, basta querer.
Refazer o nó que é complicado, se depois de partidas, as duas partes
já não se alcançarem devido a um pedaço perdido de sua individualidade.

domingo, 20 de julho de 2008

cara, pára tudo.

tira um pouco esses pensamentos da sua cabeça e... faz o que eu vou te pedir.

vai até a janela. abre a cortina, olha pro céu.



tá vendo a lua ?

é a mesma que eu vejo daqui.

a luz que reflete nela e chega até mim é a mesma que chega até você.

podemos estar distantes, mas temos algo em comum. algo que nos conecta.

não é mágico que exista algo no universo que os meus e os seus olhos possam alcançar ao mesmo tempo, mesmo estando nós tão distantes ?

agora olha de novo, repara na lua.

ela reflete tudo o que vê.

consegue ver meus olhos refletidos ali ?

eu olho para ela e ela te olha.

eles estão olhando para você.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

e quem não gosta de gato deveria morrer.


domingo, 22 de junho de 2008

sabe, meu amigo,
uma coisa eu te digo:

por mais que você ame,
por mais que você sofra,
por mais que se encante,
por mais que se comova,
por mais que dê risada,
por mais que se aborreça,
por mais músicas que cante
por mais gente que conheça...

as emoções nunca se acabam
nesta vida, minha amiga.

porque você sempre vai ter
um novo ar pra respirar,
algum lugar pra conhecer,
novos amores para amar,

romance ardente pra viver,
uma canção pra arrepiar;
até o dia em que morrer
um diferente despertar.

sempre vai ter o "para sempre"
e também o "nunca mais".

mas quando achar que já acabou
e que o melhor já se passou,
todas histórias já escutou
e não as há mais pra contar,

de repente, minha gente
eu garanto, vão achar

sensações novas pra sentir,
outros sabores pra provar,
tentações pra resistir,
idéias pra patentear,

novas piadas para rir,
novos olhares pra trocar,
novas vergonhas pra omitir
e corações pra conquistar.

e eu, com um verso após o outro,
outras palavras pra rimar.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Web 2.0 - Amor à Distância (3)

Continuando a série sobre Amor à Distância (antes de ler confira o primeiro e o segundo capítulos):

Bom, já contei nos posts anteriores como a coisa COMEÇA e também como ela se DESENROLA.
Daí, um belo dia, você finalmente CONHECE o cidadão pessoalmente. Então, duas adoráveis coisas podem acontecer:

  1. ele/ela é ainda mais legal do que na net, mas muito mais feio(a) do que nas fotos;
  2. ele/ela é realmente bonito(a) como nas fotos e na webcam, mas muito, muito tímido e vocês não conseguem conversar "naturalmente", como se estivessem... teclando. (olha a ironia)

De qualquer forma, algo terrível vai acontecer: o desencanto. Nem que seja só um pouquinho. Pode até não acontecer, mas nunca vai ser como antes. Porque, se você nunca tinha ouvido antes, agora já sabe como é a voz dele e não pode mais imaginá-la do seu jeito. Porque estar à sua frente é diferente de vê-lo num vídeo caseiro ou pela webcam. Porque você pode reparar em outras coisas que não podia antes, como postura, seu perfil, sua estatura comparada com a sua, ou a forma com que torce nervosamente as mãos devido à timidez.

Todos esses empecilhos podem ser superados (porque você se acostuma com eles) através de algo simples: o convívio na vida real (DUH). Só que todo o processo de aproximação tem que começar novamente, do zero.

Também pode ser que nada disso aconteça e quando vocês se encontarem sintam que simplesmente já se conhecem desde... sempre. Mas são grandes as chances de você conhecer uma OUTRA pessoa, e não aquela que você sempre imaginou; além de nunca mais ver aquele antigo amigo virtual com os mesmos olhos. Porque agora conhece seu verdadeiro eu, e não seu alter ego.

A conclusão que eu tiro disso tudo? Seguinte: quando você se apaixona por alguém que conhece apenas por internet, tudo não passa de ilusão. Um sentimento sincero, veja bem, porém baseado numa ilusão. Por quê? Por todos os motivos que eu já falei: você idealiza a pessoa, você se apaixona por quem você IMAGINA que ela seja, ou pela IMAGEM que ela passa, e não por quem ela é de verdade. Se você um dia a conhecer pessoalmente, esse sentimento maluco pode continuar... OU NÃO. Se não continuar, era tudo ilusão. Se continuar... também era! Porque tipo assim: se você continuar gostando dessa pessoa, pode ter certeza, é porque a verdadeira personalidade dela te conquistou AINDA MAIS do que a personalidade virtual. Ou tanto quanto. O que não quer dizer que o seu sentimento anterior não era real. Ele só foi... superado por um outro, dessa vez baseado numa realidade tátil e totalmente sensível.

Conclusão da conclusão: a internet nada mais é do que um meio para "aproximar as pessoas, mantendo-as isoladas" (salve André Dahmer).



Falando sério, a internet é tipo um mundo paralelo, mas bem ou mal, serve para... conectar as pessoas (DUH). Então ela pode, sim, te levar a conhecer alguém legal. Só não se deve usá-la como BASE para tirar conclusões. Se o fizer, que seja por sua conta e risco, pois "É tudo ilusão!" (SHIMODA, Donald).



P.S. ..se eu amo alguém que só conheço pela internet? Amo, sim, de verdade. Mas tenho noção do risco que corro de decepcionar ou ser decepcionada, e por isso tento tratar isso tudo como simples fantasia da minha cabeça. Esse amor pode até ser, paradoxalmente, uma das poucas certezas que eu tenho nessa vida repleta de conjecturas intermináveis, mas outros fatores externos me impedem de pagar pra ver se daria certo ou não. Continuo, portanto, com minhas conjecturas que jamais me levam a lugar algum, em respeito aos meus próprios princípios.

Se eu falar mais do que isso já fica pessoal demais, então calo-me.

terça-feira, 8 de abril de 2008

[offtopic] super mario Theme

Read this doc on Scribd: super-mario-bros-overworld-theme-9240


com vocês, uma coletânea de performances. passei a goddamn madrugada inteira pesquisando isso.

preguiça de embebedar os links aqui pros vídeos aparecerem na postagem. além do mais, o post ia ficar muito carregado. se virem.

mas adianto que os 6 primeiros links são os melhores. os outros foram mais pra constar.

sábado, 5 de abril de 2008

Web 2.0 - Amor à Distância (2)

Tudo começa com um amigo virtual. Não importa onde vocês tiveram o primeiro contato, e sim a freqüência com que vocês mantém esse contato. E também os meios pelos quais ele ocorre. Por exemplo: alguém que você vê num fórum do orkut que posta uma opinião muito sagaz e instigante, ou parecida com a sua, ou que de alguma maneira chama sua atenção. Algo faz com que você entre no perfil desse cara, e magicamente você descobre que:

  1. ele curte os mesmos filmes, livros, artistas e músicos que você;
  2. ele tem os mesmos hobbies e paixões;
  3. ele luta pelas mesmas causas;
  4. ele tem as mesmas ideologias;
  5. ele é descendente de italianos, e você adora italianos;
  6. ele é irreverente e bem-humorado;
  7. ele tem uma frase do seu filósofo favorito ou um trecho da melhor música da sua banda favorita no about;
  8. ele é gato pacas.
Mas tudo isso não é suficiente. Tem algo que eu não sei explicar, relacionado com a forma que a pessoa usa para escrever ou para se descrever, que influi na imagem que você terá dela, no exato momento em que ler aquele perfil. Depende também do seu estado de espírito, das coisas que estiver pensando, do seu momento atual, do seu timing. Então você arranja algum pretexto para puxar assunto com o indivíduo, deixando um scrap como quem não quer nada, e aguarda ansiosamente pela resposta. Se ela não vier, pode ser por N motivos. Se ela vier, pode ser com N intenções.

Ou então, você pode descobrir um blog incrível de um jovem muito sagaz e espirituoso que te faz dar altas risadas narrando passagens aleatórias de sua vida com detalhes que te fazem de alguma forma admirá-lo, seja por seu caráter, suas atitudes, seu humor, sua inteligência ou sua ideologia. Você pode nem ter visto uma foto do cara, mas se 'apaixona' pela pessoa que ele é. Então você o adiciona no msn e é aí que tudo começa. Se ele te der corda e também descobrir algo para admirar em você, a coisa prossegue.

Anyway, o diálogo tem que continuar de algum jeito, diariamente. Pode ser por orkut, e-mail, gtalk, MSN ou mesmo SMS. Ou todas as coisas juntas. Se seus assuntos e modos de teclar baterem, fica fácil engatar uma conversa. São inúmeros os fatores que podem ser determinantes para iniciar um processo de "aproximação" (entre aspas porque essa aproximação só acontece virtualmente, duh). Sem convívio freqüente não se pode criar um vínculo, nem mesmo com o alter ego de alguém. Você pode até observar essa pessoa, ler seu perfil e seu blog de cabo a rabo, colecionar informações que ela jamais imaginaria que alguém poderia fazer questão de investigar, mas ela pode nem saber que você existe. Você não acompanha seu dia-a-dia em tempo real, não ouve seus desabafos, não fala de si para ela, não avalia suas reações imediatas ao que você diz. Não há vínculo algum, não há feedback e, portanto, não passa de um ideal platônico ou mera curiosidade mórbida por alguém que desperta o seu interesse.

O Amor na Web 2.0 é mais do que isso. Tem a ver com convivência virtual. Como, isso? Seguintch: quando você convive com alguém com quem se dá bem, se acostuma com a pessoa e cria laços afetivos com ela, certo? E por que isso não poderia acontecer também virtualmente? É por isso que tem que haver um canal de comunicação freqüente - para favorecer essa convivência virtual. Não é alguém com quem você só conversa eventualmente e pergunta apenas "olá, como vai?". É alguém com quem, quando você vê online, necessariamente precisa falar, nem que seja pra colar um link de uma imagem engraçada que achou, ou contar que algo legal te aconteceu hoje ou perguntar se ele está melhor do resfriado. Ou alguém que você espera a semana toda que responda aquele seu scrap ou e-mail quilométrico, porque ele só entra na internet nos finais-de-semana. Já se ambos trabalham conectados no mesmo horário e usam o mesmo serviço de mensagens instantâneas, fica mais fácil, o contato é quase ininterrupto e não carece nem mesmo de cumprimentos e outras formalidades.

Outro fator determinantes para essa aproximação é tornar a coisa um pouco mais... real. Mensagens de voz, telefone, Google Earth, webcam, vídeos caseiros, cartas manuscritas, etc. Tudo isso contribui para você sentir que conhece a pessoa tão bem quanto alguém que pode ver e tocar. Você conhece a entonação da sua voz, o jeito de falar, os gestos que faz. Tudo isso revela um pouco da sua aura. E como eu falei no primeiro post, é a aura de alguém que te atrai ou te repele.

Com o tempo, a intimidade vai crescendo e ele se torna alguém que fica sempre minimizado na sua área de trabalho durante o expediente. Uma janela virtual para as suas paisagens mais repousantes. Alguém em quem você despeja seus sentimentos mais emergentes no exato momento em que ocorrem. Alguém que serve como p(l)ano de fundo no muro das suas lamentações, como carro-pipa de lágrimas eletrônicas, como válvula de escape, como depósito de desabafos. Alguém com quem você compartilha suas vitórias e a quem congratula quando divide as próprias com você. Quando você menos esperar, estará recebendo SMS de bom dia e boa noite, todos os dias quando acordar e antes de dormir. Ou SMS de 'boa viagem' e 'se cuida' quando estiver no meio da estrada e prestes a ficar uma semana sem entrar na internet.

Nessa convivência, você aprende a decifrar e interpretar as reações dessa pessoa aos mais diversos estímulos. Reações virtuais a estímulos virtuais, olha que coisa absurda. Vão desde a forma de digitar a risada e acompanhar as mensagens com emoticons, como as coisas mais sutis, como as 'geladas', quando a pessoa te evita ou te bloqueia por algum motivo. Você aprende a diferenciar as atitudes tomadas por brincadeira e as que realmente são em momentos de raiva ou desentendimentos. Aprende a ler nas entrelinhas.

E aí, aqueles sentimentos que eu falei no post anterior, como ciúme, admiração, compaixão, afeto, solidariedade e até atração, podem ir brotando e revelando que por trás de tudo tem algo mais que um simples passatempo ao papear com alguém através de um teclado e um monitor. Esse algo é amor, de verdade. Amor sincero, por mais que não saiba exatamente pelo que está se apaixonando.

O engraçado é como a pessoa realmente se torna parte da sua vida. Você anda pela rua e se imagina mostrando a cidade para aquele seu amigo virtual. Toma café da manhã e imagina que ele está à sua frente enchendo a sua xícara e te contando o que sonhou hoje. Imagina-se compartilhando uma rotina com ele, assistindo filmes e comentando o jogo de futebol ao seu lado, ou se escondendo atrás das almofadas nas cenas de terror, por mais impossível que tudo isso seja de acontecer. O quê? Nenhum de vocês nunca imaginou tudo isso? Então acho que estou ficando louca, loLoLOloL

Anyway, o que eu estou querendo DESVENDAR aqui é como DIABOS um ser humano pode se apaixonar DE VERDADE por um... monte de pixels e ondas sonoras. Porque basicamente não é disso que ele passa: uma figura, um personagem, um... ideal. Porque ninguém mostra, na internet, 100% o que realmente é, e sim apenas as qualidades que julga ter. Ou os traços de personalidade que possui e não consegue (ou não tem coragem) de demonstrar na vida real. Ou as fotos photoshopadas e vídeos da cintura para cima. Ou... não, a pessoa também pode simplesmente não se importar com a aparência, além de só escrever o que dá na telha e pronto. E você pode até achar isso interessante. Mas de qualquer jeito, é quase sempre alguém bem diferente do que você imagina.

Mas esse monte de pixels e feixes de ondas sonoras é, sim, capaz de... conquistar alguém. Da mesma forma que um personagem de um romance fictício, por exemplo. O que eu ainda não consegui concluir é se, afinal, esse amor virtual é pura ilusão ou pode ser 100% sincero e coerente com a realidade. Será que quando você conhecer o cidadão pessoalmente vai continuar sentindo a mesma coisa ou irá tudo por água abaixo?

Não perca o próximo post.

Web 2.0 - Amor à Distância

Como alguém pode se apaixonar por um monte de pixels?

I'll tell you what.

Nem sei por onde começar no momento em que escrevo essas linhas, ainda mais por ser, no fundo, um assunto um tanto quanto personal.

Pois é, nada como a experiência própria para fazer com que você saiba discorrer sobre cert assunto como ninguém. Vou tentar ser o menos pessoal possível, senão vou acabar descrevendo todas as minhas aventuras desde a época de foto em net discada.

(Acho que vou acabar dividindo esse artigo em 3 posts, como geralmente ocorre quando escrevo textos """jornalísticos""". Ou não.)

First of all, o tema do debate: é possível se apaixonar por alguém que não se conhece? Não entra aqui em questão o fato de um relacionamento poder ser mantido à distância ou não, e sim se um sentimento mais profundo que simples interesse pode vir a ocorrer SEM esse contato físico.

Minha resposta é sim. Alguns leitores vão me zoar, mas acredito que o que nos faz ter esse tal sentimento profundo (vulgo amor) por alguém é a energia da pessoa, ou sua aura. Ou seja, a vibração que ela emite. Minha conclusão é a seguinte: o que vai definir se você pode ou não sentir algo assim por alguém que nunca viu ou tocou é nada mais que a sua sensibilidade para captar essas energias e sentir se elas vibram na mesma freqüência que as suas. Ou se são freqüências que se complementam, ou whatever. Não quero decifrar aqui a física do amor, mas apresentar uma teoria que explique o fenômeno do amor à distância. Da mesma forma que acontece in real life, seja ela qual for, também pode acontecer através da rede.

Que fique claro aqui que não estou falando daquelas fantasias lascivas ou romances infantis, mas daquele sentimento que te faz ter certos pensamentos e atitudes que você não tinha antes senão por pessoas de carne e osso. Sentimentos como ciúme, admiração, compaixão, afeto, solidariedade ou mesmo atração.

Será que algum leitor já passou por isso? Peço que quem ler isso aqui comente, mesmo que seja um leitor imaginário com comentários fictícios. No próximo post vou falar sobre como tudo começa e como esse amor virtual surge.

segunda-feira, 31 de março de 2008

me diga algo que eu não saiba

nota mental: se você consegue conquistar alguém que se orgulha de não ser piegas e de nunca ter namorado na vida, é porque você realmente conquistou essa pessoa.

quarta-feira, 12 de março de 2008

DrinkOwned's

meu, na moral.

me diz o que está escrito aqui:


DRINKS ou OWNED ?

pra mim sempre vai ser OWNED. apesar de estar escrito quase exatamente assim na parede de um BAR.

qualquer dia tiro foto pra vocês acreditarem.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

coffee, coffee, coffee

caraco, dessa vez quebrei todos os recordes. nunca tomei tanto café na minha vida, cara. cinco xícaras de uma vez.

eu percebi não que fico depressiva SÓ quando não tem coca-cola: quando não tem comida em casa também. digo, até tem, mas só coisas chatas de preparar e sem graça de comer. e eu nem tenho fome, eu tenho é vontade de preparar algum quitute interessante. coisas interessantes são macarrão, lasanha congelada, nuggets, miojo, brigadeiro de colher ou até mesmo gelatina. ou um misto quente com tomate, assado no forninho. mas não tinha nada disso em casa, e eu entrei em parafuso, porque não tinha coca-cola. Deus ! não tem nada pior do que uma madrugada tediosa SEM coca-cola pra refrescar a garganta.

como não tinha nada disso, chegou 5 da manhã e eu fui fazer um café. e depois das 5 xícaras, como não tinha nem pão com manteiga pra comer, eu pensei em fazer MAIS café. que absurdo, será que tô ficando viciada ? mas eu nem tomo café todo dia !

daí eu entendi que na verdade NÃO tenho compulsão alimentar, porque quando tem coca-cola na geladeira eu não fico procurando quitutes na despensa. sou capaz de passar um dia inteiro só tomando coca-cola. eu tenho é falta do que fazer mesmo. a vontade de fazer mais café não era vontade do café em si, e sim de fazer alguma coisa.

eu adoro sentar na mesa da cozinha, enfiar alguma coisa no forninho elétrico e esperar ficar pronto, enquanto assisto os minutos passando no relógio da parede, os gatos comendo suas comidas e o dia clareando pela janela da cozinha. como não tinha comida, eu pensei em esquentar água pra fazer mais café, mesmo já tendo tomado cinco xícaras. no final das contas, é tudo um pretexto pra ficar sentada na mesa da cozinha, esperando.

estou começando a perceber que tudo na minha vida são pretextos para outras coisas. mas isso já é outra história.

hoje tô com preguiça de cozinhar. acho que vou encomendar umas panquecas recheadas. nem tô com vontade de comer panquecas, mas assim eles me trazem uma coca-cola junto e eu não preciso sair de casa.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

"Todos são escritores, só que uns escrevem e outros não".
José Saramago

Um dia eu me perguntei se passaria por isso também. Eu já amei sem ser amada, já fui amada e não amei, Tentei convencer mais de uma pessoa que o amor verdadeiro não espera nada em troca, não tem ciúmes nem apego. Já li num livro da minha infância a receita "como se obtém amor: Dando amor. Amando." Já convenci a mim mesma de que o amor é um fim em si mesmo. Já cantei que "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar na verdade não há." Já ouvi lição de moral, dizendo que um dia eu havia de deixar de ser teimosa e aprender a deixar alguém me fazer feliz. Já me recriminei por não conseguir amar a quem me amava e já tive raiva de outrem por não me deixar amá-lo. Já tive medo de voltar a sofrer como já me haviam feito sofrer antes, e também como eu havia feito alguns sofrerem, por que não? Já conspirei contra homens, contra mulheres e contra a raça humana inteira. Já decidi passar a gostar de mulheres acreditando que era o único jeito de não sofrer mais. Já sofri de orgulho ferido quando me dei conta que quis alguém só porque essa pessoa não me queria. Já sonhei e fantasiei com pessoas que muitas vezes nem chegavam a fazer parte da minha vida (ou apenas não o sabiam). Já andei de mãos dadas sem ser namorada, já recusei pedidos de namoro, já tive namorados imaginários, já quis usar aliança sozinha. E mesmo depois de tudo isso, ainda vieram me dizer que eu ainda nunca tinha me apaixonado.

Foi então que eu acreditei (e temi) que um dia eu ia saber na prática que o que todos dizem sobre o amor era verdade: que quando você ama você sente ciúmes, tem que abrir mão de muitas coisas e que a relação é um jogo de ceder. Que quando acontecesse comigo eu ia entender, e ia fazer as mesmas coisas que todos fazem. E eu tive muito medo de me decepcionar ao ponto de descobrir que é tudo mesmo tão medíocre.

Mas eu tive sorte. Encontrei alguém cujo amor por mim não me era essencial, mas que não recusou o meu. Alguém que me faz feliz só por demonstrar o quanto é mais feliz do meu lado, e constatei na prática que a maior recompensa que o amor desinteressado pode receber, é alguém que, simplesmente, se deixa ser amado.


postado em 25/12/2011

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A razão me diz para investir na pessoa que está disposta a me dar o que eu preciso, e não naquela que não quer nada comigo.

A razão me diz para amar aquele que pensa em mim 24 horas por dia. Aquele que faria tudo por mim, que se preocupa e se sacrificaria por mim, aquele que não se incomoda em se declarar em público, que quer "ser só meu e que eu seja só dele" para sempre.

Mas a intuição me diz que, por mais que seja confortável, não devo investir num relacionamento com alguém se não sinto a mesma coisa por ele (ou mais).

E além do mais, quem disse que é dele que eu preciso ?

O amor não é uma moeda de troca. O amor é um fim em si mesmo.
E eu não preciso de alguém que me ame, preciso de alguém para amar.
Não quero alguém que sofra por mim, quero fazer alguém feliz.

Quero pensar em alguém 24 horas por dia e lisonjear-me com cada pensamento que ele dedicar a mim. Quero lhe dar jardins inteiros das mais raras flores e me emocionar com cada singela flor caída que ele se lembrar de me oferecer. Quero passar fome ao seu lado e deleitar-me com cada bocado que ele saboreie dos meus pratos, demonstrando satisfação. Quero massagear-lhe o corpo e o ego, fazer-lhe subir a auto-estima, comemorar suas conquistas e vitórias, incentivar seu sucesso, elogiar seus talentos, realizar seus sonhos, mudar sua vida.

Deixar-me amá-lo é o maior presente que ele pode me dar.



Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho, logo, mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semidéia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma,

Está no pensamento como idéia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples, busca a forma.

- Luís Vaz de Camões

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Polivalente

Eu sonho com viagens,
sonho com meus lares;
sonho com o luxo
e com a simplicidade;
sonho com ciência
e também sonho com arte.
Quero viver de tudo,
eu sou polivalente.

Eu sonho com fazendas,
sonho com metrópoles;
sonho com aconchego
e também com aventuras,
sonho com a natureza
e com tecnologias.
Quero absorver tudo
e me esqueço de criar.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

sempre tem motivos pelos quais a gente quer matar certos amigos nossos de porrada. e por mais que amemos esses amigos e não vivamos sem eles, tem certas coisas que não conseguimos aceitar e com as quais não conseguimos conviver sem sentir um sapo atravessado na garganta. e não tem nada que possamos fazer, afinal, ou aprendemos a lidar com as diferenças, ou nos isolamos num mundo totalmente sem relacionamentos.

são muito poucas as pessoas que conseguimos aceitar totalmente, sem ressalvas, sem que nos irritem e nos tirem do sério por causa de certos traços de personalidade. às vezes isso acontece justamente porque não as conhecemos muito bem ou porque não temos muita intimidade com elas, mas queira deus que existam pessoas realmente compatíveis com meu gênio, ou jamais encontrarei companhia duradoura para dividir o resto dos meu dias.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

pé frio e cabeça quente

eu cheguei à conclusão de que às vezes a gente precisa passar por momentos de azar e surtos psicóticos de ódios mortais para o universo começar a conspirar A FAVOR da gente.

daí a gente pode esfriar a cabeça e perceber que o que tem que acontecer vai acontecer e pronto.




sabe aquele lance de o destino ser escrito em norma culta com uma péssima caligrafia ? é, eu tenho a leve impressão de que faz sentido.

domingo, 23 de dezembro de 2007

nerdices

minha relação com meus amigos nerds/babacas é uma coisa que meus amigos "normais" nunca vão entender. nunca, nunca, nunca.

gente normal é normal sempre. você pode virar nerd ou babaca* se já tiver uma tendência, mas enquanto não for, jamais entenderá.

mas qual é a diferença ?

é a diferença entre usar gírias de mano AE LEK FMZ VLW VEIW FIRMAO EH NOIS de verdade ou de zueira. é a diferença entre achar que um certo guia de idiomas é inútil ou engraçadíssimo. é a diferença entre escrever errado porque não sabe escrever ou para zoar com quem não sabe. é a diferença entre ter uma conversa banal sobre assuntos normais ou interessantíssima sobre coisas banais.

conversar com nerds e babacas é entender mensagens sutis ditas de formas peculiares, é usar risadas alternativas no msn, é ter grupos de contatos com nomes esquisitos, é rir de coisas que só vocês acham engraçadas, é passar a tarde esperando determinadas pessoas ficarem online, é fazer conferência no skype pra falar merda, é ter linguagens secretas e piadas internas que só certas pessoas entendem, é passar trote telefônico, é ver malícia em tudo o que se fala ou escreve, é tirar sarro de si mesmo e de tudo ao redor, é chamar chat de suruba, é usar frases de trotes e vídeos do youtube que só quem tem acesso à internet conhece.

é dizer "çai" quando os dois escrevem/falam a mesma coisa ao mesmo tempo, é escrever errado intencionalmente e saber que o outro sabe que você escreveu errado de POPRÓSITO, é precisar de ajuda divina pra parar de falar LOL, é saber que comic sans é a fonte mais REDÍCULA do mundo, é xingar o outro e ser xingado e não se sentir ofendido, porque você sabe que eles são pessoas legais e não tem nada a ver. afinal, tem que ter um mínimo de respeito, senão vira molecagem.

claro que a gente tem piadas internas e linguagens secretas com os amigos "normais" também, mas é diferente. aquele lance de um olhar pra cara do outro e já saber o que o outro está pensando, todo mundo tem amigos assim. ter coisas que se a gente vê por aí, ou ouve ou fala, começa a rir de se jogar no chão. mas não existe nada na vida real que tenha "apostilas" que você precisa ler pra entender e fazer parte. tem coisas que só a babaquice proporciona.

mas mais do que ser babaca é ser um babaca nerd. aliás, todo nerd é um pouco babaca, mas nem todo babaca é nerd. e ser nerd é melhor. porque ser nerd não é só ter certos interesses, hobbies e atividades típicos, al-ém de ser meio bitolado, como dizem os estereótipos. também é ter malícia, informação, instrução, sagacidade, respostas na ponta da língua, escrever bem, digitar rápido, leitura dinâmica, gosto musical apurado, visão crítica, argumentos consistentes sobre os mais diversos assuntos. para mim, ser nerd é ser interessante. nem todos os nerds são tão interessantes assim, mas são só esses que eu chamo de "meus amigos nerds".

ter amigos nerds é ter um círculo social paralelo ao seu "mundo real". e o mais incrível é que as pessoas desse círculo podem estar em qualquer lugar do mundo e interagir do mesmo jeito, e nem precisam ver a cara uns dos outros. e a atitude desse tipo de amigos é diferente. eles não te cumprimentam no msn com um "oi rsrsr td bem? eai oq tem feito? 9da10?"... ARGH. é uma relação diferente, você não é obrigado a cumprimentá-los só porque estão online. você só fala com eles quando tem assunto, e já chega mandando links ou falando coisas aleatórias e aparentemente insanas e fora de contexto, para quem vê de fora. vocês têm emoticons manjados para cada situação, assim como frases feitas e coisas que só são engraçadas se você olhar com olhos de nerd.

o problema é que você nunca vai conseguir explicar para os seus amigos "de verdade", aqueles do dia-a-dia, o que você tanto conversa com esses nerds malucos. e às vezes não dá pra resistir soltar umas piadas internas inexplicáveis:

Maíra diz:
o nosso sonho de hj pode não ser o nosso sonho de amanha

diarinho com feedback diz:
maíra

diarinho com feedback diz:
AMANHÃ NÃO TEM NINGUÉM

diarinho com feedback diz:
AMANHÃ NÃO


imagina se ela vai entender o que eu quis dizer com isso.

*sobre babaquice, consulte a babakipedia e, por favor, leia as apostilas. ou não, se você for normal demais.

Self-Owned

Continuando a série sobre idades emocionais, eu acho que um fator importante para se superar toda essa inconstância e insegurança, é aprender uma coisa muito simples: a rir de si mesmo.

Porque uma das coisas que os aborrescentes mais temem é fazer papel de ridículo. Por isso as meninas de 13 anos vão vestidas de mulher em festas de crianças de 2 anos, com saias curtas, penteados chiques, decotes mostrando o que não têm, salto agulha e acessórios brilhantes e desconfortáveis; porque acham que não vão ter vontade de brincar no pula-pula ou na piscina de bolinhas com as outras crianças. Por isso ficam tão envergonhadas quando dão um tropeção qualquer ou quando alguém expõe algo de suas vidas em público, como o fato de terem ficado "mocinhas" ou de terem mamado na mamadeira até os 8 anos de idade. Por isso também que os garotos não gostam que seus amigos interajam muito com seus pais ou avós, que adoram falar de seus "pimpolhos".

Qual é o problema de dormir no quarto dos irmãos mais velhos porque ainda tem medo do escuro ? De estar a fim de alguém ? De levar um fora de vez em quando ? De ter uma barriguinha sexy ? Por que chamar de "gorda" é a pior ofensa do mundo para uma garota ? Por que tanta preocupação com as aparências ? Por que tanto medo de parecer mais novo ? Medo de brincar com crianças mais novas e parecer infantil ?

Eu sou mais feliz desde que parei de me levar a sério.
E eu ainda vou escrever mais coisas neste post.

E esta citação me inspira:


"Eu cheguei a conclusão de que um dos meus maiores erros era me levar a sério demais. Desde que assumi o que há de histriônico em mim, os tombos se encheram de graça. Palhaça-acrobata, descobri que não há nada melhor do que levantar de uma queda digna de Ícaro com um estupendo "TA-DA!!!!" acompanhado de rufar de tambores e pose circense."

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

scraps ocultos

orra, meu. atendendo aos inúmeros pedidos, finalmente o sr. orkut ativou a opção de deixar os scraps ocultos. e todas os noobs que vinham parar no meu blog procurando por isso agora poderão fazê-lo. acontece que eu não vou postar falando sobre como fazer pra deixar os scraps ocultos. porque se você é tão noob que tem que perguntar pro GOOGLE como fazer uma coisa tão simples, então você não devia usar o orkut. porque já tem noobs demais no orkut. e outra, não deixe seus scraps ocultos; eles foram feitos para serem fuçados. scrapbook = mural de recados, se você quer um mural de recados SECRETO, use o E-MAIL. noob.

no próximo post eu falo sobre o tal self-pwned.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Aborrescência

Minha aborrescência começou relativamente tarde. Lá pelos 13 anos, que foi quando dei meu primeiro beijo, depois comecei a sair sozinha com as amigas (sendo que aos 11 eu não atravessava nem a rua sozinha), mudei na oitava série do colégio público para um particular, e pude presenciar como é e vivenciar a vida dos alunos dessa faixa etária num colégio de filhinhos de papai. ou seja: igualzinha à dos seriados americanos.

A classe se divide entre:
1. os playboys ou patricinhas/mauricinhos
2. os nerds
3. os alternativos esquisitinhos/roqueiros
4. os excluídos

Tanto os nerds como os alternativos podem ser excluídos, mas os boyzinhos JAMAIS serão, NUNCA serão. Tem também os pops, ou a elite, grupo formado pelos filhos das coordenadoras e diretoras, pelos alternativos engraçadinhos que adoram chamar a atenção, pelas garotas riquinhas que dão BAILES com traje Esporte Fino em todos os aniversários e também aqueles amigos que estudam no mesmo colégio desde o jardim-de-infância. Mas os pops nunca são nerds. Ou seja, a Elite é uma panelinha de alunos que são famosinhos em todas as unidades do colégio, e que adoram praticar bullying nos excluídos.

Bom, eu era alternativa AND nerd. Adivinha no que deu ? Isso mesmo, Clube das Excluídas.

Nem preciso narrar a minha aborrescência traumática, né ? O que importa é que minha suposta infância não terminou aos 11 anos, quando eu parei de brincar de Barbie, e sim aos 13, quando eu parei de imaginar como seria meu primeiro beijo e de sonhar com o príncipe encantado.

Mas, paradoxalmente, as infantilidades estavam apenas começando. Porque não tem coisa mais infantil e patética do que uma criança em corpo de "mocinha" achando que sabe pensar e agir como gente grande.

O problema do adolescente é que ele PENSA que é um ser humano íntegro e com a opinião formada, nem que a sua única opinião seja dizer que prefere ser uma metamorfose ambulante.

Os adolescentes gostam de se achar donos do mundo. Se acham completos, perfeitos, como se não tivessem mais nada para aprender na vida; adoram dizer que "eu sou mais eu" e se julgam "pessoas de personalidade forte". Acreditam que quem fala mal deles é porque os inveja, mas também adoram falar mal dos outros. Se acham os donos da verdade, às vezes rebeldes e revolucionários, e o pior de tudo: se acham adultos.

Mas se tem uma coisa que eles não são, é alguém íntegro, pleno e completo.
Eles não entendem que, nessa idade, em meio a transformações psicológicas e fisiológicas desnecessárias de serem citadas, eles estão em mudança constante e ininterrupta. Adolescentes são um rio de inconstância, um fluxo de disparates, e do começo ao fim da adolescência cumpre-se um ciclo de transformações. Esse ciclo corresponde ao processo de Busca Por Uma Identidade. Porque nem mesmo personalidade eles têm de forma definida. E enquanto não chegam de fato ao fim dessa Busca, eles não saem da Aborrescência.

Você já reparou como adolescentes têm vergonha de tudo ? E como são, ao mesmo tempo, revoltados ? Têm vergonha de falar em público, de cantar no videokê, de subir num palco quando chamadas. Mas postam dezenas de fotos ególatras no fotolog e fazem vídeos com conteúdo quase obsceno.

Na verdade tudo isso se resume em uma coisa: afetação. Afetação significa fingir ser quem você não é. Quer dizer que eles querem chamar a atenção, mas também querem parecer adultos. As meninas, especialmente, agem de forma diferente quando estão na presença de outras pessoas. Quando estão com as amigas, por exemplo, são divertidas e escandalosas, e vivem falando de meninos. Quando tem meninos por perto, elas riem mais, mesmo que não estejam achando tanta graça assim, andam como se estivessem numa passarela, fingem ficar nervosinhas com as provocações deles, mas é tudo um pretexto para se aproximar e interagir com eles, por mais que não tenham nenhum interesse. Quando estão entre adultos e sem amigos por perto, são apenas serenas (eu diria enfadonhas), parecem estar extremamente entediadas, e também tentam parecer adultas, a fim de serem vistas de igual para igual. Já quando estão na balada fingem dançar, mas tudo o que fazem é mexer os pézinhos para lá e para cá, e olhar para os lados que nem psicas procurando conhecidos para fazer social ou pessoas bonitas para xavecarem-na (porque elas mesmas nunca xavecam. Afinal, mulher tem que se fazer de difícil).

As patricinhas, geralmente, são as mais afetadas. As nerds e excluídas são as mais envergonhadas, e as alternativas são as mais revoltadas e liberais. (Mas muitas dessas últimas, na verdade, são patricinhas enrustidas. Afinal, em vez de usar um tênis furado e um trapo amarrado como saia, usam um Converse original e uma saia de pregas da Opera Rock. E estudam num colégio particular, claro.) Mas tanto o afetamento como a vergonha, a revolta e o liberalismo (nossa, parece papo de sociologia) fazem parte da afetação adolescente. Resumindo: tudo isso uma hora vai passar. TEM que passar.

Deixa eu continuar no próximo capítulo, que aí vou falar do self-owned ;)

Juventude

(este é um post antigo semi-reformulado, introdutório ao próximo post)

as pessoas quando crescem ficam chatas.
uma criança na fase de transição para um adulto, então, é a pessoa mais chata do mundo. (leia-se: adolescente).
eu não tenho paciência com adolescentes.

porque quando se é criança, não se tem vergonha de nada, não se tem regras, não se tem hipocrisia, não se faz as coisas só na intenção de agradar aos outros. não se segue política ou etiqueta, tudo é descontraído, tudo é diversão, tudo é desfrute.

quando essa criança começa a entrar na adolescência, vira a coisa mais enfadonha. não é mais alguém que usa qualquer roupa, rola no chão, ri alto e com vontade, se lambuza toda pra comer, não tem medo de ser feliz.

adolescente é a pessoa mais chata de se conversar, porque ou tem vergonha de falar em certos assuntos por medo de ser julgada, ou então só fala futilidades.

não é mais alguém que, quando você encontra, você pega nos braços, levanta no ar e roda, faz cosquinha, brinca de caretas e outras coisas bobas, e se diverte horrores. agora ela tem vergonha. vergonha de os mais velhos a reprovarem, ou de os seus amiguinhos da mesma idade acharem que ela é muito infantil.

tudo isso porque tudo o que querem é serem adultos. serem vistos como adultos. então não podem fazer coisas de criança ou falar de assuntos infantis. e além do mais, adolescentes são meio falsos; adotam uma postura afetada, que dá pra perceber quando estão forçando o riso, tentando chamar a atenção ou fazendo doce. não tem coisa mais ridícula, por exemplo, do que reparar que uma menina está a fim de um menino mas não quer dar o braço a torcer, e fica provocando e ao mesmo tempo fazendo joguinhos toscos para se fazer de difícil.

eles passam a se preocupar com modas e com aparência, coisa que na infãncia jamais se preocupariam; cria um monte de pudores e uma pseudo-opinião formada.
isso nos primeiros anos, porque em grande parte das vezes, mais tarde o processo se inverte. eles passam a odiar tudo o que está na moda, procuram quebrar todas as regras e convenções sociais, e gostam de dizer que não ligam para a aparência ou para o que os outros pensam deles, mas paradoxalmente usam a suposta falta de cuidado com a aparência para chamar a atenção e se auto-afirmar. resumindo: a fase do rebelde-sem-causa.

nesse estágio, quando em bando, são perigosos: fazem o maior estardalhaço, se vestem e se penteiam de forma estranha, usam códigos de comunicação, criam intrigas entre si, praticam bullying nos excluídos e falam mal dos outros pelas costas. mas quando isolados ou em reuniões sociais ou de família, são apenas enfadonhos. apáticos, depressivos e deprimentes. dão sempre a impressão de querer estar em qualquer lugar, menos ali.

ah, bom mesmo é ser jovem ! jovem não é mais aborrescente, mas também ainda não é totalmente adulto (que, por sinal, tem a mesma raiz da palavra adulterar). o jovem já tem um monte de responsabilidades, mas ainda não casou ou teve filhos. não precisa mais ficar sonhando em chegar logo à maioridade para poder dirigir, beber e entrar em lugares proibidos; mas ainda tem muita agilidade, resistência física e disposição, e ainda não se queixa de dores nas juntas.

o jovem já não tem tanto tempo disponível, mas quando tem, aproveita-o bem. faz coisas úteis como trabalhar, estudar e resolver seus próprios problemas, sem precisar da aprovação e assistência dos pais em período integral. quando entra de férias, pega o carro ou a mochila e vai viajar, seja sozinho ou com os amigos.

o jovem já não tem mais tantas neuras e crises de identidade quanto o adolescente, tem mais relacionamentos de verdade e menos decepções amorosas superficiais. às vezes se pega sentindo saudades da infância e dos "bons tempos de colégio", mas tem consciência do quanto amadureceu daquele tempo para cá e sabe que tem o poder de ainda realizar muitas coisas boas na vida.

quando alguém se torna jovem, pára de andar a ermo, indo para onde o vento levar, e passa a trilhar um caminho traçado por si próprio. aprende que existem milhões de caminhos possíveis, com milhões de resultados diferentes, e já tem experiência suficiente, ainda que teórica, para pesar todas essas possibilidades e escolher uma delas, ou ir testando até acertar.

o jovem consciente tem a cabeça nas nuvens e os pés no chão. e só ele consegue reunir essas duas coisas em uma.

quando você se torna jovem, volta a rolar no chão, fazer montinho, brincar de gato mia, soprar bolinhas de sabão, fazer guerra de travesseiro, cantar músicas da sua época de infância, dar risada alto e comer tudo o que tem vontade, de danoninho a papinha de nenê, sem medo de ser taxado de "infantil"... e tem orgulho de andar de mãos dadas na rua com sua mãe ou avó.

você já não pertence a mais nenhuma tribo: ouve qualquer música, usa qualquer roupa e aprendeu a não julgar os outros por estereótipos. tem suas preferências, claro, mas já transcendeu os preconceitos.

o jovem tem a mente aberta para aprender tanto com os adultos e idosos quanto com as crianças e adolescentes. dá valor às coisas simples da vida e não faz questão de provar nada para ninguém.

ele faz amigos onde quer que seja, sem distinção de idade: trata tanto os mais velhos como os mais jovens de igual para igual, ensina aos mais novos sem ser autoritário e não necessita de auto-afirmação.

se antes era louco para terminar a escola, agora não tem pressa de terminar a faculdade. cada ano passa voando e ele tenta aproveitar ao máximo.

o jovem geralmente morre de saudade do seu passado, mas isso não o impede de curtir e muito o seu presente.

...ou, pelo menos, era assim que deveria ser, com todas as pessoas que saem da adolescência.
aliás, para mim, quem ainda não tem essas características todas que eu descrevi, não passa de um adolescente em busca de uma identidade.

porque adolescência é uma fase de transição. pessoas inseguras, para mim, ainda não saíram da adolescência.

já a juventude, para mim, é simplesmente sinônimo de "maturidade desprovida de velhice".



"A maturidade do homem consiste em haver reencontrado a seriedade que tinha nas brincadeiras de quando era criança".
- Friedrich Nietzche

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Mil Perdões

(com o perdão da paráfrase)

me perdoa
por fazer-te mil perguntas
que em vidas que andam juntas
ninguém faz

me perdoa
por pedir-te perdão
por amar-te demais

me perdoa por ligar-te
em todos os lugares
e não conseguir

me perdoa
por erguer minha mão
fingir bater em ti

me perdoa
quando anseio pelo instante de sair
e rodar exuberante e me perder de ti

me perdoa
por querer te ver
e não conseguir

me perdoa
por contar suas horas
nas suas demoras por aí

me perdoa porque choro
enquanto choras de rir

...que eu te perdôo por me trair


- adaptado de chico buarque

sábado, 10 de novembro de 2007

"é só um copo e meio !"

quando meus amigos me vêem comprando uma lata de coca-cola e matando ela em um minuto, ficam embasbacados. tipo, quando pedem um gole e eu já tomei quase tudo, arregalam o olho quando seguram a lata e sentem que está QUASE vazia. tipo "aff que draga que tu é, tu bebe muito rápido aff affa aff affaf"

orra, meu. se eu me dei ao trabalho de gastar DOIS MANGO com uma latinha de 350ml, é porque eu tava MORRENDO de sede. e 350ml nem é tanto assim, é pouco mais que um copo e meio. um copo tem 200ml, uma lata corresponde a um copo de 200ml e mais um com 150ml. é uma "porção" suficiente para uma pessoa. vai dizer que cês não matam isso de uma vez depois de comer um lanche do MC ou um saquinho de pipoca ou batata frita ?

eu tenho sede crônica. principalmente no verão. por isso me reservo o direito de DEGLUTIR uma lata inteira de coca-cola de uma só vez, sem ficar economizando, bebendo de golinho que nem passarinho. porra, eu sou normal. não acredito que nego encana com isso - a RAPIDEZ que eu bebo uma lata de refrigerante. ou de mate, ou de suco, ou de qualquer coisa.

daí quando eu falo que uma lata é = um copo e meio, fazem cara de "aff, como se isso fosse pouco". porra, É pouco. tanto que às vezes uma lata só não dá conta da minha sede :P

e tipo, se eu demorar demais pra beber, o treco ESQUENTA. perde o gás, perde o gelo. boa, vou usar isso como desculpa da próxima vez.

e deixa eu ir lá na geladeira que tem meia garrafa de 2 litros esperando pra ser DEGLUTIDA. brb

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

I HAZ A LOLCAT

Intermédio

rabiscado em 25/06/07.


Que coisa mais curiosa. Acabo de reparar que a ausência de Líderes que têm influência sobre a minha pessoa me deixam mais desinibida para atuar nos meios dos quais comecei a fazer parte por intermédio deles.
Que estranho, pô.

E por falar em influências, descobri que se tem uma coisa para a qual eu NÃO sirvo, é servir de intermédio.

É que fico extremamente confusa e estabanada quando tenho que estabelecer um contato e/ou interação entre duas pessoas ou grupos de pessoas que não têm muito a ver um com o outro. Por exemplo, quando meus amigos vão em casa, ou quando minha mãe está entre meus amigos, ou quando sou incumbida de levar um convidado para dar uma palestra na reunião do grupo de jovens.


E isso me incomoda. Meus amigos, por exemplo. Não consigo juntar/lidar com dois grupos diferentes ao mesmo tempo sem me sentir numa situação muito estranha. E
quando por algum motivo acabo juntando dois ou mais amigos de "turmas" diferentes, que não se bicam muito (em festa de aniversário, por exemplo), e tenho que lidar com a situação ? É tenebroso. Não consigo agir naturalmente como agiria em um ou outro grupo sem misturá-los. E também não sou a pessoa mais habilidosa do mundo em criar assuntos para a interação dos demais presentes entre si. Daí a minha dificuldade de estabelecer um "CANAL DE COMUNICAÇÃO". É, eu sou uma pessoa cheia de peculiaridades.

Inevitavelmente, essa reflexão me leva a pensar nas conseqüências que essas peculiaridades vão acarretar na minha vida profissional. E que em muitos momentos essa habilidade vai fazer falta na minha missão de fraternizar (verbando) a humanidade, e tal.

Então penso nos intérpertes e tradutores. Eles são o exemplo perfeito de "canais de comunicação". Eles tornam possível a transmissão de informações entre as pessoas mais diferentes possíveis. Principalmente os intérpretes, que trabalham num ritmo muito acelerado, tendo que raciocinar com enorme rapidez e anida tomar o máximo cuidado ao transmitir a informação traduzida com precisão.

Daí pensei que aprender línguas talvez fosse uma boa maneira de eu exercitar um lado "canal de comunicação" de ser. E a linguagem dos sinais também. Contraditório, né ? Eu sou a pessoa menos comunicativa do mundo e adoro linguagens mais do que qualquer coisa.

Logo, fazer Letras é uma possibilidade interessante, considerando que eu me dou muito melhor escrevendo do que falando. E que eu adoro todos os tipos de linguagem, além dos diferentes idiomas verbais.

Imagina agora daqui a alguns anos eu fazendo intercâmbios na Itália e trampando na minha área no país que pra mim é o paraíso e onde se usa o idioma mais lindo do mundo ?


> update feito no dia da publicação:
E tem mais, agora estou com planos de, na Copa de 2014, estar falando 5 línguas diferentes


PEGA EU

terça-feira, 6 de novembro de 2007

menina bússola - 6 days diz:

EU SOU MUITO INDECISA

menina bússola - 6 days diz:

PQP

menina bússola - 6 days diz:

vou estabelecer uma lista de prioridades

A n d r é diz:

bom, pelo menos vc nao pode dizer que nao tem muita opção..

menina bússola - 6 days diz:

por exemplo, se eu passar no concurso dos correios e for chamada, vou me dedicar às entregas e só (pq é muito puxado)

A n d r é diz:

hmmm

A n d r é diz:

é bom? $$

menina bússola - 6 days diz:

se eu virar carteira (LOLOLOL) vou fazer mais nada da vida e juntar grana pra viajar nos feriados \o/

menina bússola - 6 days diz:

e não, carteiro não ganha muito

menina bússola - 6 days diz:

mas pra mim qualquer coisa é suficiente

menina bússola - 6 days diz:

eu não gasto em nada e sou econômica pacaralho

menina bússola - 6 days diz:

só gasto viajando :F

A n d r é diz:

qto seria o salario de um carteiro?

menina bússola - 6 days diz:

540 e pouco

A n d r é diz:

a boa é arrumar alguma coisa na sua area

A n d r é diz:

q te de experiencia

menina bússola - 6 days diz:

é, mas ganha menos ainda

menina bússola - 6 days diz:

OLOLO LOL OL

A n d r é diz:

sim, mas tem futuro

menina bússola - 6 days diz:

eu queria trabalhar a noite

menina bússola - 6 days diz:

pra estudar de manhã

menina bússola - 6 days diz:

mas não sei se vai dar certo

menina bússola - 6 days diz:

EU NÃO SEI DE NADA

A n d r é diz:

vc jah viu carteiro ser promovido? =p "ah, agora eu entrego cartas nos bairros nobres de santos" =p

menina bússola - 6 days diz:

UHAUAHUAHUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUHA

menina bússola - 6 days diz:

não, porra

menina bússola - 6 days diz:

mas eu sempre quis ser carteira

menina bússola - 6 days diz:

e eu nunca trabalhei na vida

A n d r é diz:

UHAUAIHAUHAHAUAHAHAHAUHA

menina bússola - 6 days diz:

imagina o meu primeiro emprego ser uma coisa que eu quero ser desde criança ? :P

A n d r é diz:

sem querer zuar, mas qdo eu era pequenininho eu queria ser lixeiro

A n d r é diz:

eu tinha varias latas de lixo com papel e X coisas dentro e brincava que o armario era o caminhao

A n d r é diz:

e acordava todo dia cedo pra ver o lixeiro passar

menina bússola - 6 days diz:

hahahahahahahahahahhahahaahahha

menina bússola - 6 days diz:

tá vendo ? é uma profissão nobre

menina bússola - 6 days diz:

o que seria de nós sem os lixeiros

menina bússola - 6 days diz:

eu lembro quando minha mãe me ensinava a limpar a casa

menina bússola - 6 days diz:

esfregar o chão, passar pano nos móveis, lavar a louça

menina bússola - 6 days diz:

e eu disse uma vez que quando crescesse queria ser empregada doméstica

menina bússola - 6 days diz:

minha mãe falou NÃOOO, VOCÊ VAI SER UMA ÓTIMA DONA DE CASA, ISSO SIM

menina bússola - 6 days diz:

e eu falei AH, MAS DONA DE CASA NÃO GANHA NADA PRA TRABALHAR

menina bússola - 6 days diz:

UHAUHAUAHUHAUHA

A n d r é diz:

AUIHAIUAHAUIHUHAAUHAUAHAUHAUHAUAIHAUAUAHAH

A n d r é diz:

mas po, o marido ganha =p

menina bússola - 6 days diz:

lol

menina bússola - 6 days diz:

mas eu queria ganhar o MEU dinheiro né

A n d r é diz:

krl, a mãe ensinado a limpar e a filha jah planejando o brilhante futuro de empregada

A n d r é diz:

iuahauiahauiahiaua, sim, sim

menina bússola - 6 days diz:

UHAUAHUAHUAHAUHUHAHUAUHAUHA